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CELSO FALABELLA DE FIGUEIREDO CASTRO

CELSO FALABELLA DE FIGUEIREDO CASTRO, PRESIDENTE DO IHGMG de 1992 a 1994.

por Jorge Lasmar em seu livro Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – Uma História Centenária.


Podem dizer que sou suspeito para escrever a respeito do Falabella. Não sou. Procurei e procuro sempre mostrar a exata dimensão do seu valor. É uma tarefa difícil de ser cumprida, porque ela é impossível de ser executada.
Falabella está acima.
A idade permite conhecer a natureza humana, a dizer a verdade e avaliar as pessoas com justiça. Dentro desse pensamento é que avalio a extraordinária figura humana que a cidade de Mar de Espanha nos deu e que marcou sua passagem, marcou sua presença no Instituto Histórico de Minas Gerais.
Falabella é único, quando admira, admira, admira com a franqueza que Deus lhe deu. Sua palavra é sincera, ela é característica da sua personalidade. A palavra é sincera quando aprova e reconhece o mérito e o valor no seu semelhante.
Envolve com carinho e empenho pessoal o que pretende e defende vigorosamente o seu ponto de vista. Não ofende na controvérsia, pelo contrário, ganha admiração do adversário pela tenacidade e lealdade no debate.
Não é possível substituir Celso Falabella, muito menos substituir o seu entusiasmo, determinação e a vontade, a empolgação, o interesse que sempre demonstrou pelo Instituto Histórico que presidiu e freqüentou diariamente nos quase 50 anos de ativa participação.
Uma das boas coisas da minha vida consistiu em conseguir – no bom sentido – alguns amigos. Amigos são poucos, conhecidos são muitos.
Já houve quem dissesse: quem tem um amigo, verdadeiro, pode dizer que possui duas almas. (A. Graf – Ecce Homo, 223).
Falabella é daqueles que sabem fazer amigos e o que é mais difícil, – sabe conservá-los.
George HERBERT escreveu que a "vida sem um amigo é morte sem testemunha".
Entre os meus amigos, no pedestal, o meu querido Falabella, a sua querida Zuleica, pessoa encantadora, que preenche espaço com a delicadeza da música que sempre animou sua vida, meiga e tranqüila. Com um leve sorriso apaga as chamas do vulcão Falabella que anda em seu derredor e o acalma com sabedoria e compreensão, um dos segredos do seu bem viver.
E os filhos, gravitam em tomo dos astros, aprenderam o que significa o amor filial e dele não abrem mão e esse amor levou o Falabella para outras terras …
Ele sabe que deixou amigos que o admiram e respeitam, escutam a sua palavra, que gostam dele.
Eu sou suspeito para falar, porque qualquer que seja a minha palavra ela não significa nada ante o apreço, a estima, a amizade que dedico a este amigo muitas vezes rabugento, brigão, mas cheio da melhor sinceridade e, principalmente, de lealdade, da lealdade que é a maior virtude ética do homem.

Falabella foi presidente do Instituto, hoje Presidente Emérito, sabe o que ocorre aqui, acompanha com interesse, com uma ternura sem paralelo, tudo quanto acontece no seu amado Instituto.
A sua participação, durante meio século, nas atividades do Instituto, foi tão forte que ele continua Presidente, Emérito que é.
Falabella é um Historiador nato, daqueles que está sempre nas fontes primárias. Desenhista, pintor, sabe manobrar o bico do lápis, como ilustrou MERGULHO NO PASSADO retratando Ouro Preto, domina a pena que escreveu OS SERTÕES DO LESTE, achegas para a história da Zona da Mata, onde há muito "por ser pesquisado na região que, outrora, foi conhecida por "Áreas proibidas dos Sertões do Leste", uma verdadeira e rica História dos tempos da colônia.

As Revistas do Instituto estão cheias de trabalhos valiosos nas suas páginas, mais de 50, entre eles: A Bandeira Nacional, Chiador e Além Paraíba.

O Relatório que deixou está na Revista, do seu período na Presidência, serve de modelo.
Foi um grande Presidente.
JOSÉ GOMIDE BORGES, Cadeira nO 94, exerceu em pequeno período, interinamente, a presidência, durante licença do Presidente Falabella.