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IPHAN = Impostura e Prepotência Históricas, Arrogantes e Nebulosas

Segundo o artigo 2º, §1º, do seu Regimento Interno, o IPHAN deveria ter “como missão promover e coordenar o processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro visando fortalecer identidades, garantir o direito à memória e contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico do País”, sendo que sua finalidade deveria ser a de “preservar, proteger, fiscalizar, promover, estudar e pesquisar o patrimônio cultural brasileiro, na acepção do art. 216 da Constituição Federal”. No caso da História Quilombola de Minas Gerais, no entanto, tem feito exatamente o contrário do que lhe impõe o seu Regimento Interno.

No caso do tombamento da Ferradura de Inácio Correia Pamplona, em sítio localizado na divisa dos atuais municípios de Ibiá-MG e Campos Altos-MG, como se ali tivesse ocorrido a Guerra Quilombola de 1746 – pois juntou indevidamente às fls. 29/52 do seu processo de tombamento os documentos históricos dessa época (1746) – o IPHAN errou muito pois, na verdade, esta guerra aconteceu, isto sim, foi nos palcos das atuais cidades de Cristais-MG e Formiga-MG e NÃO na Ferradura de Ibiá-MG.

Os ladrões da História do Negro em Minas Gerais, onde se destacaram o mentiroso Inácio Correia Pamplona e a sua submissa Câmara do Tamanduá (hoje, Itapecerica-MG) e ouvidores da antiga São João Del Rei-MG, inventaram que o Rei Ambrósio teria morrido em 1746 e seu quilombo destruído nesse mesmo ano. Desde o ano de 1995 temos provado DOCUMENTALMENTE que tudo isto é mentira. O Rei Ambrósio, na verdade, continuou vivo e somente após essa Guerra (1748-1750) mudou sua capital para dentro do Triângulo que sempre fora Goiano, ou seja, o Triângulo pertencia à Comarca paulista de Goiás que, depois, se tornaria a Capitania de Goiás.

Somente na Guerra de 1759-1760 é que o Rei do Quilombo do Ambrósio foi contado entre os mortos, provavelmente no Quilombo da Pernaíba, em território da atual cidade de Patrocínio-MG, pois o seu novo quilombo, o da atual Ibiá-MG, foi encontrado  com sinais de recente evacuação, sendo pois – sem qualquer batalha – destruído e queimado pelos tropas de Bartolomeu Bueno do Prado.

Além de tudo, o Quilombo do Ambrósio – tanto na região Cristais-MG até 1746, como na de Ibiá-MG após 1750 –  era apenas a capital da Confederação Quilombola conhecida por Quilombo do Campo Grande, com os seus 27 núcleos ou quilombos identificados no Centro-Sul, Centro-Oeste, Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Sudoeste de Minas. O Campo Grande, como se vê, era três vezes maior que Palmares em número de quilombos, visto que Palmares tinha apenas 9 núcleos ou vilas.

A se aceitar o tombamento fajuto feito pelo IPHAN, como se vê, a gloriosa História da Confederação Quilombola do Campo Grande, ficaria reduzida a um ÚNICO e isolado quilombinho que só teria existido na região da atual Ibiá-MG e que, atacado em 1746, teria sido destruído e seu rei, morto.

Desde o início dos anos 2000 os técnicos do IPHAN e seus presidentes estão cansados de saber que o tombamento que fizeram está ERRADO, pois o fizeram com enganosa base nos documentos da Guerra de 1746. Antes, apenas fingiram que dormiam. Agora, a partir de 2011, quando praticamente todos os antigos ladrões da História do Negro em Minas Gerais foram desmascarados, o IPHAN, tentando esconder a extrema BOBAGEM que fez e que insiste em manter, passou a lançar mão da chamada chicana, também conhecida como litigância de má-fé, dissimulação e sofisma. As mudanças de suas diretorias e presidência em nada melhoram a sua ética, pois abaixo, bem abaixo, o núcleo desse tipo de ente público parece-me ser protegido por uma casca grosa… onde ninguém quer ou pode mexer.

Assim, as atitudes dos técnicos e administradores do IPHAN, no que se refere ao Quilombo do Ambrósio, estão – mais do que nunca – mudando o significado da sigla IPHAN para “Impostura e Prepotência Históricas, Arrogantes e Nebulosas”.

Entre nos links abaixo e confira, lendo os textos em PDF

1 – Petição à nova presidenta do IPHAN

2 –Despacho negativo da presidenta do IPHAN, fundado em premissa falsa

3 – Agravo à decisão da nova presidenta do IPHAN

Este pesquisador de história e os malungos do MGQUILOMBO estão trabalhando há muitos anos pela Cultura Negra do Estado de Minas Gerais, em caráter de voluntariado, de graça, sem qualquer remuneração. Por isto, os mandantes do IPHAN acharam que poderiam fazer o que bem entendessem. Não podem. Vamos continuar, até obter uma decisão administrativa de mérito para, sendo o caso, acionarmos o Poder Judiciário. A gloriosa História da Confederação Quilombola do Campo Grande não pode ser arquivada nos porões da arrogância do IPHAN.

Tarcísio José Martins

Membro Efetivo do IHGMG

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

NOVIDADES – 02.07.2013

O IPHAN, em razão de requerimento do Serviço de Informação ao Cidadão – SIc, propôs ao pesquisador Tarcísio José Martins, uma reunião no dia 02.07.2013, em Brasília. Na sequência, antes da reunião, enviou decisão denegatória ao acolhimento do Agravo supracitado.
Veja o documento denegatório em PDF

O fundamento dessa denegação foi o mesmo das anteriores, em sequência ao sofisma inicial criado com a denegação do pedido inicial, articulada com base no decreto-lei nº 25/1937, como se Tarcísio tivesse defendendo interesses do suposto dono do terreno tombando de Ibiá, quando na verdade, o bem que o pesquisador sempre defendeu e defende, é aquele que, no geral, é chamado de a História do Negro em Minas Gerais e, no particular, a História da Confederação Quilombola do Campo Grande, bem cultural imaterial do Povo Mineiro, vilipendiado e conspurcado pelos erros apontados no processo tombamento desde o ano 2000.
Veja uma compilação, página por pagina, desses erros do processo do IPHAN.

Porém, como a reunião de 02.07.2013 abriu uma janela para se reparar esses danos gravíssimos causados ao bem cultural imaterial supracitado, Tarcísio houve por bem, NÃO iniciar, por hora, qualquer processo judicial pedindo a cessação dos danos causados à História de Minas Gerais.
Confira a petição pedindo a suspensão temporária dos prazos do processo IPHAN

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QUILOMBO DO AMBRÓSIO – OS ERROS GROSSEIROS DO IPHAN

FALA SÉRIO IPHAN !

IPHAN QUER FAZER HISTÓRIA DE MINAS GERAIS COM CARTEIRADAS DE AUTORIDADE

OBS.: Os sites do autor indicados nos documentos foram renovados e podem ser encontrados nos seguintes links:

http://tjmar.adv.br/qcgrande.htm

http://tjmar.adv.br/reflexoes/

http://novo.mgquilombo.com.br/