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a) a toponímia de origem africana remanescente

 

A toponímia de origem africana remanescente mormente na microtoponímia mineira que, com já disse, em certas regiões, mais parece um mapa de Angola. Vejamos; peguei, aleatoriamente, três mapas topográficos em meus arquivos e transcrevo abaixo o que encontrei:


Cidade de Formiga: de norte para sul, Loanda, Buraco dos Negros, Morro das Balas, Ribeirão do Quilombo, Fazenda Quilombo; ao sul, desaguando no Rio Santana, outro Ribeirão do Quilombo e outra Fazenda do Quilombo.

Cidade de Muzambinho: fica perto de Caconde, tem Mocambo, tem Moçambo, além do Rio Muzambo, Angola, Angolinha e tem Guiné.
Cidade de Cristais: o local onde foi a Primeira Povoação do Ambrósio, até hoje se chama Quilombo, num círculo formado pelo Ribeirão do Quilombo, Morro do Quilombo, Redondo, Meia Laranja, Morro da Vigia, tem, fechando um grande círculo, o Ribeirão do Segredo e a Fazenda do Segredo. Que segredos seriam estes?
Acho muito difícil não se encontrarem palavras de origem bantu na toponímia de qualquer dos municípios mineiros. Muitos deles, na verdade, marcam locais de antigos quilombos e/ou de comunidades de pretos forros e/ou brancos pobres, egressos da África  – enganosamente chamados de “ilhéus” ou “das ilhas”  – que ali viveram.
Em quase todos esses casos, a toponímia precede o próprio vilarejo que deu origem a cidade. Aliás, sem essa toponímia eu jamais teria conseguido desvendar a verdadeira historia dos quilombos do Campo Grande. Sem dúvida, são valores “culturais, (…) decorrentes da influência negra na formação da” terra mineira que, como tal, devem ser preservados.
Como preservá-los? Simples:
As próprias câmaras de vereadores podem legislar nesse sentido, mandando colocar nos locais placas identificadoras que, isoladamente, ou em conjunto com outros valores culturais, ou até  mesmo em conjunto com a beleza natural do lugar, podem ser grandes auxiliares de fomento à cultura e ao turismo local e/ou regional. Nada obsta que a Fundação Cultural Palmares também seja oficiada para que lance esses bens em suas listas de bens preservados.


2003 © Todos os direitos reservados a Tarcísio José Martins